REEDUCAÇÃO ALIMENTAR
Alimentação Viva na Promoção da Saúde e do Ambiente
Nos últimos anos a mudança de hábitos de vida vem sendo procurada por um número crescente de pessoas desejosas de uma vida com qualidade. Existe hoje uma consciência maior sobre a necessidade de algumas transformações no nosso cotidiano. No campo da saúde pública, a Promoção da Saúde vem sendo marcada por ações que favoreçam a apropriação da saúde por diversos caminhos. Entre eles estão àqueles voltados para o incentivo às práticas de atividade física e reorientação de hábitos alimentares. Temos como foco a ALIMENTAÇÃO VIVA, que é baseada nas sementes germinadas e brotos, além do consumo de vegetais crus, acrescentadas de uma ampla reflexão sobre estilo de vida e envolvimento com os cuidados ambientais, entendendo o ser humano como integrante da rede da vida.
Objetivo: Desenvolver habilidades práticas com o Alimento Vivo, estimular reflexões teóricas sobre meio-ambiente interno e externo, além de fomentar práticas naturais de cuidados com a saúde e com a natureza.

Alimentação Viva o que é?
Segundo a Dra. Maria Luiza branco, alimentação viva é aquela que considera a vitalidade dos vegetais como a fonte essencial de alimento e não a matéria mesma, ou seja, as proteínas, carboidratos etc. Considera que o ser humano se alimenta de vida e que pode buscar a fonte dessa energia de várias maneiras: na vitalidade do ar, da água, da terra, do sol, da alegria e tudo mais que nos mantém vivos. Essa vitalidade foi chamada de energia vital ou força vital por muitos anos e sempre foi controversa. Porém, como sabemos se um corpo está morto ou dormindo? Porque uma banana de plástico é diferente de uma banana viva? Todos sabem. A vida está além da matéria e todos sabemos reconhecê-la porque a carregamos conosco.Essa forma de ver o alimento traz consequências interessantes. Alguns tentam explicar que essa energia se traduz sob a forma de enzimas, os hindus chamam de prana, os chineses de chi, os espiritualistas como a Força Maior e, atualmente os físicos quânticos tentam interpretar os achados sobre a matéria e se aproximar dessa discussão, como Amit Goswami. Porém, o mais interessante é que não precisamos de explicação para sentir a vitalidade. A experiência de comer alimentos crus, frescos, de preferência recém-colhidos, bem cultivados, nos confere um estado de bem estar se comparados aos alimentos industrializados ou cozidos. E ainda mais, quando acrescidos daqueles potencializados de energia: as sementes em processo de germinação.

Uma visão ampliada do que é alimento:
A mudança desse olhar carrega consigo uma visão ampliada do que é alimento e da sua fonte de recursos. Por exemplo: alimentar-se da energia do ar através da respiração ritmada justifica um programa diário de atividades físicas que normalmente não consideramos como momentos de alimentação. E nem o tempo que nos dedicamos à produção de alimentos na horta (energia da terra) ou nas preparações culinárias em grupo que favorece trocas de “alimento humano e afetivo”.

Um pouco da história:
O alimento vivo é muito antigo. Os humanos coletores comiam vivo antes da descoberta do fogo. Com o advento do fogo e da necessidade de deslocamento os humanos nômades foram mudando a alimentação. Mas somente encontramos registros sobre a importância do alimento cru e fresco em Hipócrates (400 AC), associado às “regras de observação da natureza”. Também registraram os Essênios (AC e DC), povo que viveu no deserto e descobriu como viver em comunhão com a natureza. Aqui, mais explicitamente, a referência às sementes germinadas como fonte de energia. O conhecimento sobre viver observando as “regras da natureza” manteve-se guardado na tradição oral entre os “naturalistas”, pequenos grupos dentro de diferentes culturas, por centenas de anos. Na Alemanha eram chamados de Filhos do Sol, por exemplo. No final do século XVIII nova onda de valorização da energia como fonte de alimento e de cura, chegou. Cresceu a homeopatia e começou a se organizar a “Higiene Natural”- conhecimentos práticos sobre como observar as “regras da natureza”, obter saúde e ser seu próprio médico. Lembramos aqui que, antes de existirem os médicos a prática médica era uma arte e remediar era uma prática onde o alimento estava sempre presente. Aliás, a primeira terapia humana registrada se chamou “alimentoterapia”. Hipócrates, pai da medicina, afirmava que a força da vida tende a saúde, como resposta natural. Basta observar e seguir.Assim o conhecimento sobre a alimentação com vitalidade foi se mantendo sempre vivo, sem grande divulgação durante séculos.No início do século XX, Edmond Székeli, médico, educador, pacifista, linguista entre outras habilidades, divulgou o estilo de vida dos essênios e as bases da Higiene Natural (Higiene Natural ou Higiene Vital é o nome dado a uma corrente de pensamento relacionada à saúde e à vida. Higiene é uma palavra que tem origem em Higéia ou Higiéia, a deusa grega que velava pela saúde de todos).Traduziu o Evangelho Essênio da Paz escrito originalmente em aramaico pelo apóstolo João. Neste livro podemos conhecer a poesia que revela as orientações de Jesus sobre o processo de germinação das sementes e da preparação do pão dos essênios. Propôs viver como os essênios considerando que a “Energia Vital” está presente em tudo que nos cerca e criou o movimento dos novos essênios da paz. Foi ele quem classificou os alimentos segundo a vitalidade:Biogênicos (que favorecem a regeneração da vida): sementes germinadas e brotos.Bioativos (ativam a vida, por ainda manterem a vitalidade): frutas, legumes, verduras frescas e cruas.Bioestáticos (mantém a vida): alimentos cozidos, congelados e refinados.Biocídicos (consomem a vida): alimentos com produtos químicos ou radiações, conservantes e aromatizantes.

Na década de 80 na Califórnia – EUA, Dra Ann Wigmore escreveu vários livros a partir de sua experiência pessoal e pesquisas sobre o assunto. De origem romena, era uma mulher comum, dona de casa que adoeceu gravemente de diversas patologias e resolveu buscar na alimentação sua cura. Buscou informações por anos e teve o mérito de organizar e popularizar esse conhecimento através dos 15 livros que escreveu. Essa obra é hoje referência no “movimento da Alimentação Viva” e quase todos os livros são acompanhados de receitas, um ponto de partida para a experimentação.Além de se curar, recebeu o título de Dra pelos inúmeros benefícios que prestou durante toda sua vida dedicada a essa divulgação. Fundou institutos de pesquisas, ofereceu palestras, orientações, cursos e clínicas de recuperação. Ela também ensinou a germinar sementes, fez programas de rádio, de TV e popularizou esse tipo de alimento na Califórnia. Deixou muitos seguidores que foram criando suas próprias “escolas” reunindo-se hoje sob o título de mestres do Raw Food e Living Food (Comida Crua e Comida Viva).
A cura pela alimentação por Ann Wigmore: Ela escreveu o livro com o título: Be you your own doctor (Seja você seu próprio medico), convicta de que todos podemos ser médicos de nós mesmos. Para isso, Ann Wigmore propôs a “desintoxicação” permanente, baseada em hábitos de “limpeza”. A adoção da alimentação viva em todas as refeições é uma dessas práticas. E também o consumo de bebidas fermentadas (Rejuvelac), a atividade física regular e a meditação. Dedicou especial atenção à busca do desenvolvimento espiritual.Escreveu uma brochura sob o título “Energia Vital” onde trata do assunto. Seu trabalho foi especialmente dirigido para a cura, especialmente a espiritual, tendo como apoio a alimentação viva. Fundou o Instituto Ann Wigmore, uma clinica para desintoxicação atualmente em atividade em Puerto Rico onde seus sucessores mantêm as práticas preconizadas por ela, mesmo depois de seu falecimento passando os 80 anos.
Proposta culinária de Ann Wigmore: O grande diferencial da obra de Ann Wigmore foi a importância que atribuiu a energia vital dos alimentos. Entendeu que as enzimas digestivas se constituem a manifestação material dessa energia. Assim, enfatizou que as sementes, quando germinadas, produzem grandes quantidades de enzimas digestivas facilitando todo o processo digestivo. E com isso, reduzindo os gastos energéticos do corpo humano no processo.Acentuou a importância dos Sucos e dos Alimentos Fermentados, como fontes especiais de enzimas digestivas. O programa culinário proposto por Ann Wigmore se baseia num conjunto de alimentos, sem passar pelo cozimento ou congelamento, mantendo a energia vital.Consomem-se os vegetais frescos, maduros, orgânicos, sementes germinadas e brotadas, alimentos desidratados e os fermentados. A dieta proposta por ela foi analisada e aprovado pela FDA (Food and drugs administration, órgão que avalia e controla os alimentos e propostas alimentares nos EUA). Segundo os resultados, ultrapassou em mais de 200% as necessidades nutricionais humanas determinadas pela organização.Em seus livros deixa transparecer que considera o ato de comer como uma forma de cuidar do corpo e não se dedicou a pesquisa dos paladares ou da culinária com estética. Consulte a referência de algumas das suas obras no capitulo 10: Biblioteca.
Alimentação Viva no Rio de Janeiro: E finalmente a Alimentação Viva chegou no Rio de Janeiro. A interpretação brasileira da dieta proposta por Ann Wigmore foi sendo adaptada inicialmente pela professora Ana Branco – Dep. de artes e design da PUC – Rio, que tem o mérito de associar a arte com a saúde, através do laboratório de pesquisas do projeto Biochip, oferecendo cursos e palestras divulgando amplamente a vitalidade como conceito alimentar. Posteriormente o Terrapia, um experimento de mobilização popular orientado pelas bases da política de Promoção da Saúde, no Centro de Saúde da ENSP/FIOCRUZ. Uma experiência que acontece numa unidade de atenção básica, ou seja na porta de entrada aos serviços de saúde. Diferente de Ann Wigmore voltada para a cura, o conhecimento sobre a alimentação viva foi aplicado como estímulo a mudanças de hábitos de vida da população em geral.





